Deficientes visuais encontram um espaço de inclusão e apoio na ADEVIUDI

Quando o beneficiado por um projeto passa a fazer parte  da gestão do mesmo e começa a auxiliar outras pessoas, é possível entender o recado de que algo positivo está saindo dali. É isso que acontece com grande parte da equipe da Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia (ADEVIUDI).

 

O programa teve início em  agosto de 1972 e, presta apoio ao deficiente visual considerando desde o aspecto psicossocial ao incentivo à inclusão dessas pessoas por meio da educação e profissionalização. Dentre as atividades oferecidas estão duas turmas do EJA (Educação para Jovens e Adultos), alfabetização em braile, curso de informática e administração de empresas e aulas de tapete, bateria, violão e estudo bíblico. O esporte também está presente dentre as atividades ofertadas, através da yoga, ginástica e oficina de Goalball.

Joana Pires nasceu com baixa visão (vê apenas vultos) e é prova da existência de inclusão. Hoje presidente da Associação, ela frequenta a ADEVIUDI desde 2009 e há três anos participa do EJA, a primeira escola que entrou. “Eu tinha muita vontade de estudar, aprender a assinar meu nome, [porque] eu não sabia. Aqui eu aprendi tudo”. Apesar de já ter terminado o curso, a presidente continua frequentando algumas aulas para reforçar o que aprendeu. “Estou lá de penetra agora (risos). Eu vou porque tem muitas letras que eu ainda confundo, como o S, Ç e Z”. Joana também fez curso de massoterapia e administração de empresas e conta que muitas pessoas já conseguiram emprego por causa dos cursos profissionalizantes ofertados ali. “Aqui só fica parado quem quer. Aqueles que querem lutar pela vida têm várias oportunidades na Associação”, afirma.

Joana diz que desde que começou a ir à ADEVIUDI, sua vida mudou. “Aqui eu entendi que sou alguém e não apenas uma deficiente. Aprendi a dar valor em mim mesma”. Sobre os próximos planos da Associação, ela relata com entusiasmo o projeto de montar uma cozinha. “Precisamos de uma cozinha para dar aula de capacitação para os nossos deficientes aprenderem a cozinhar. Muitos chegam aqui e não sabem nada, não vão nem até o bebedouro pegar um copo de água para tomar”, aponta. Joana esclarece que isso acontece porque a maioria não tem o incentivo da família para aprender. “Muito cuidado com quem é deficiente acaba prejudicando, porque prende a pessoa. Muitos acabam ficando com medo e não pode ser assim, né? Tem que pensar: eu posso, eu vou fazer, eu quero”, esclarece

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